A globalizacao imaginada

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A globalizaçâo imaginada

Néstor García Canclini

Iluminuras

Depois de duas décadas em que a globalizaçâo foi declarada como destino inevitável da modernidade, começa a estudar-se a variedade de intercâmbios, desencontros e desigualdades que provoca. Não a imaginam do mesmo modo o gerente de urna empresa multinacional, os governantes de países centrais ou periféricos, migrantes multiculturais ou artistas que buscam ampliar sua au­diencia. Somente alguns poucos políticos, financistas e académicos - sustenta Canclini - pensam em urna globalizaçâo circular. O resto imagina globalizaçôes tangenciais: com os que falam o inglés, com naçôes da própria regiâo ou em acordos de livre-comércio para se protegerem da concurrencia generalizada.

Junto à homogeneidade gerada pela circulaçâo de capitais e bens, emergem as diferenças culturáis. Nao como simples resistencias ao global.

O autor explora, a partir de urna vasta bibliografía que inclui aja consagra­da e a mais recente, como mudaram as aproximaçôes e discrepancias entre Eu­ropa, América Latina e Estados Unidos. Com cifras e dados novos compara os modos distintos de como se globalizam as finanças, a cidadania, as artes vi-suais, as editoras, a música e o cinema. Examina as ambigüidades que escon-dem as metáforas empregadas para se falar de conflitos de fronteira e analisa o humor nos mal-entendidos interculturais.

Mas este nâo é só um livro sobre a globalizaçâo; propoe, ainda, como reno­var os estudos culturáis - dialogando com a antropologia, a sociología e a eco­nomía - para reconstruir um pensamento crítico. Pergunta-se sobre o qué fazer para que os intercambios globais nâo sejam gerados apenas em lobbies de empresarios e, sim, deslocando-se para a esfera pública na perspectiva da construçâo de urna cidadania mundial.